Acordei com uma forte dor de cabeça e sabia que era Deus me cutucando, pois havia cometido um erro terrível no pior lugar possível, com a pior pessoa possível, mas até que gostei. Vi que estava numa cama confortável, respirei fundo e levantei-me depressa para não cair no sono novamente. Tinham muitas estátuas por onde andei e é claro que eram de santos e isso aumentou ainda mais a dor de cabeça frenética que negava de me deixar.
Não sabia onde Esper estava, mas continuei andando para chegar a algum lugar. Andei e cheguei a uma cozinha, ele estava lá fazendo o nosso café da manhã.
-Bom dia. - disse eu.
-Aurora bom dia. - ele respondeu.
Sinceramente, eu fiquei muito envergonhada de saber que nós nos "unimos" é um tanto constrangedor, até mesmo porque eu não sei nada a meu respeito.
Sentei-me numa cadeira de madeira opaca e lá fiquei a esperar que ele me salvasse do silêncio e foi o que ele fez dizendo:
-Não fique assim calada Aurora.
-Me desculpe é que eu estou as cegas. - disse eu cordialmente.
-Sei. Não vejo como posso lhe ajudar. - disse educadamente.
-Conte-me sobre mim, por favor. - implorei.
-Bem, seu nome é Aurora como pode perceber. Quando era criança conheceu um menino, um vizinho seu, com o qual brincava e vocês cresceram juntos como se fossem dois irmãos sem nenhuma pretensão, você passou a confiar nele mais do que tudo.Mas, um belo dia você estava em sua casa sozinha ele apareceu e violentamente abusou de ti, te machucou e isso fez com que a deixasse em coma durante algum tempo. Sua mãe nem preciso dizer que ficou desesperada, ela gritava e gritava sem parar, pelo menos foi oque soube. Você resolveu ser uma vingadora e procurar os infelizes abusadores e mata-los um por um, na época nós já nos conheciamos na escola e eu disse para que não fizesse isso, mas você nunca da ouvidos a ninguém. Eu sempre fui apaixonado por ti e com meu coração partido vim para uma igreja local para me tornar padre porque a vida do amor já não me interessava mais sem a Aurora. E Aurora não era mais ela, era Kirai* e queria a todo custo se vingar e nós nos separamos. Um dia nos encontramos por ai e resolvemos conversar, te pedi em casamento mesmo sendo padre e você não me deu a resposta até hoje, estou esperando inclusive.
Comecei a chorar não teve como evitar, então essa era a minha história... Eu era uma inescrupulosa assassina.
*máquina em japonês, no caso ela se tornou uma máquina de matar.
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